Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Muito além de um Mestre

Na sexta-feira (17/04), no estúdio de rádio da UniverCidade, acadêmicos do curso de jornalismo apresentavam programas radiofônicos feitos especialmente para a disciplina de Produção e Edição em Rádiojornalismo. No comando da turma, Dylmo Elias, fazia a avaliação. Após terminar de gravar o programa do meu grupo, ele me chamou e disse que havia gostado muito do nosso estilo e apresentação. Foram as últimas palavras que ouvi dele: “Parabéns”.

Na tarde chuvosa de ontem (21/04), uma triste notícia, deixou o dia mais melancólico: nosso professor faleceu. Uma surpresa tomou conta de todos nós, afinal na próxima semana ainda seriamos avaliados em sala de aula e, infelizmente, as palavras que ele tinha a nos dizer se foram.

Aos 81 anos, Dylmo era um apaixonado por sua profissão. Nas aulas ou reuniões de pauta, como ele preferia, a seriedade e compromisso cuidavam de dar o tom de profissionalismo aos encontros. Suas palavras sempre nos davam força, faziam com que cada frase fosse indispensável para nosso processo de aprendizado. Com três meses de convívio aprendemos muito. Uma lição que nem os livros ou o tempo poderá apagar. A mensagem que ele nos passava vinha da alma, com sentimentos que ninguém pode explicar, a não ser sentir e ser tocado pela voz que aconselhava e indicava caminhos para o rádiojornalismo.

Suas palavras eram firmes e seus conselhos vinham de uma experiência única chamada vida. Era dos sonhos que brotava a inspiração teatral e as aulas que ele ministrava em nossa faculdade.

Aquele andar suave que pelos corredores caminhava às quartas e sextas não mais será ouvido. A voz do grande radialista se cala para dar passagem a uma longa homenagem que nós, amigos, alunos, familiares e admiradores, prestaremos em cada dia que continuarmos nossos trabalhos e aprendizado, como ele desejava.

Ele partiu sem ao menos dar um adeus. Sem despedidas, em silêncio. Como no teatro, não há nada mais importante que possamos fazer neste momento, a não ser dar uma grande salva de palmas e dizer para ele: “Obrigado por ter dedicado a vida a ensinar e semear sua mensagem!”

Obrigado pelo seu incentivo Dylmo,


Fábio Barbosa
Acadêmico de Jornalismo da UniverCidade

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Onde foi parar a Cidade Maravilhosa?

O Rio de Janeiro realmente é uma cidade maravilhosa, mas esse título pode estar ameaçado. O crescente índice de violência preocupa moradores e turistas que fizeram daqui seu lugar favorito para passar as férias.


Apesar do governo estadual dizer que tudo irá ficar bem, ninguém duvida de que em breve mais notícias de tiroteios e assaltos serão as manchetes dos principais veículos do país. A situação, por exemplo, do Morro dos Tabajaras, em Copacabana, ainda não se resolveu. Tiros ainda podem ser ouvidos e a população é obrigada a se esconder, ficar refém de uma policia que não resolve o problema e de bandidos que cada vez mais se fortalecem como agentes do caos.


O maravilhoso da cidade está se perdendo a cada dia, em cada bala perdida e civil morto por imprudência. As pessoas que saem de casa tem medo de não poder voltar, afinal a qualquer momento podem estar na linha de tiro entre policiais e bandidos.


Os moradores estão amedrontados e sem saber o que fazer, mas é preciso ter calma e dar oportunidade a quem de direito tem o dever, nesse caso o governo, de resolver a situação. Enquanto isso, tanto os turistas e a população se conformam e estar escondidos, colocar grades nas janelas e alimentar a esperança de que um dia a cidade poderá ser chamada novamente de maravilhosa.


Por Fábio Barbosa

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Corregedor e o Castelo

Os contos de fadas sempre possuem um príncipe, uma princesa, uma bruxa má e um castelo. Como nas histórias infantis o ex-corregedor da Câmara dos Deputados, Edmar Moreira (DEM-MG), tinha bons argumentos, mas esqueceu que o encanto dura pouco e que mais cedo ou mais tarde a carruagem vira abóbora. No caso dele o seu “pequeno” castelo, em Minas Gerais, o levou a ter de deixar o cargo e se explicar diante de seus colegas e da população.

Como bem sabemos, o Brasil, não tem costume de ter construções tão suntuosas, como um castelo, mas ao custo de R$ 25 milhões de reais é possível se ter um. Para completar o conto, Edmar, ainda é suspeito de fraude contra a previdência e de ter omitido, em sua declaração de bens, o pequeno palecete mineiro. Como alguém esquece que tem uma propriedade desse porte? Ou ainda como explicar o fato desse castelo não pertencer a nenhum dos contos de fadas e sim ao corregedor da casa que representa a população brasileira e que deveria zelar pela moral e dá bons exemplos.

Nos últimos anos já vimos de tudo. Políticos com dólar nas cuecas, grampos irregulares em autoridades, mas castelos de origem suspeita é assustador. Enquanto muitos nem tem onde viver, outros constroem verdadeiros feudos, escondidos sob as copas das árvores do interior de Minas Gerais.

Se essa história fosse um conto de fadas, Edmar seria a bruxa e nós os mocinhos que fomos enganados e recebemos uma explicação nada lúdica. Em mais um conto macabro de Brasília, o dono do castelo é guilhotinado e volta ao para onde não deveria ter saído.
Montagem: Blog do Fábio

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A garota do Metrô

A vaidade é algo que indica diretamente o sexo feminino. Mas às vezes há excessos em cultivar a beleza. Não vou aqui escrever nada sobre vaidade, só comecei assim por que é daí que deve partir a situação que vivi há alguns dias trás do metrô no Rio de Janeiro.

Estava eu saindo de casa em direção a estação Cantagalo, em Copacabana. Passei na roleta e logo uma garota apressadinha passou bem na hora que eu ia passar. Até aí tudo bem, afinal ela deveria estar atrasada. Fui andando e cheguei ao vagão. Sentei e logo percebi que a mesma garota estava no acento da frente. Uma voz suave e encantadora anunciou – Próxima estação Siqueira Campos - mas aquela viagem só estava começando.

A garota que estava na minha frente começou então um ritual um tanto estranho. Tirou a liga do cabelo, se olhou na janela do vagão e começou a tirar coisas da bolsa. Parecia que nunca mais ia parar de tirar objetos de lá. Até que ela tirou um pente e começou e se pentear. Arruma para cá e para lá o cabelo, alisava, passava a mão, até que em uma atitude incontrolável as mãos dela se posicionaram junto a uma sacola de supermercado e puxaram um creme pra pentear. O problema em si não estava no creme e sim na marca, era Kolene... Ela colocou "meio quilo" do produto nas mãos e começou a passar nos cabelos. Parecia manteiga derretida sobre um saco de pipoca. Terminado a seção de embelezamento capilar, o cheiro exalava pelo vagão e as pessoas começavam a dirigir os olhos em sua direção. Mas ela nem percebeu, continuava a se produzir.

Tirou uma chapinha da bolsa. Ligou em um gerador que eu não faço a mínima idéia de onde ela tirou e começou a alisar o cabelo ali mesmo. O equipamento fazia um barulho estranho, algo parecido com aquela maquininha de dentista. Depois de seu cabelo estar parecendo um macarrão miojo em água morna, ela tirou mais uma arma de sua bolsa. Um perfume em um vidro azul. Meu deus! Parecia que ela tinha passado aquilo no nariz de cada um dos passageiros. Pois o cheiro, para não dizer odor, contaminou nossa viagem. Ela colocou brincos, passou batom, e não parava de mexer no cabelo. Até que aconteceu a cena mais horrível que já vi em minha vida: gotas do Kolene começaram a pingar no banco e escorrer rumo ao chão. Aquilo foi uma visão nojenta de ver. Aquele líquido amarelado caindo do cabelo dela me causou tanta comoção que nunca mais vou querer manteiga na pipoca! Em um ato de loucura eu ia falar para ela para parar de se arrumar, mas fui salvo pela voz do metrô – Próxima estação Praça 11. Era a minha estação. Tinha que descer ali. Quando saí e coloquei os pés fora daquele vagão do metrô a sensação foi de alívio. Meu dia começou com uma história inacreditável de vaidade e Kolene exagerado. Não pensem que este texto foi para fazer vocês comprarem esse produto, pois seu eu encontrar de novo essa garota, juro que dou de presente para ela um fixador ou algum produto que deixe o cabelo dela calminho, calminho, calminho...

Por Fábio Barbosa

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Balanço Eleitoral

Entre mortos e feridos salvaram-se todos. Essa deveria ser a manchete do dia após as eleições deste ano. Depois de conhecermos os nossos novos, ou mesmos representantes, ficamos sem saber por onde começar a entender esse novo momento que os municípios brasileiros irão viver. Mas um momento...tem município que não vai viver nada de novo, ao contrário, vai continuar com a mesma cara aparecendo nos comerciais da prefeitura.

Nos mais de 5 mil municípios brasileiros as eleições não representaram tantas mudanças. Na verdade as principais cidades vão continuar na mesma. Figuras já conhecidas da população voltam para governar por mais quarto anos. Esse fenômeno pode ser encarado de suas maneiras: este político deve ter sido bastante eficiente em sua administração, ou então, ele era o menos ruim dos candidatos. Ou uma terceira e rara hipótese ele era bom mesmo.

Depois de quatro anos no poder é possível ser feita uma avaliação. Mas parece que têm gente que se contenta com obras as vésperas das eleições e dos agrados que alguns candidatos distribuem as escondidas. Contudo teremos pela frente um vendaval de novos prefeitos, eleitos pela vontade popular. Aos que retornam vamos cobrar e lembrá-los de não esquecer suas promessas. Aos que chegam agora, sejam bem vindos e, não se iludam com o poder, afinal se não cuidarem bem da população de sua cidade, estarão a um passo de não serem reeleitos, pelo menos é o que se supõe...

Por Fábio Barbosa

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Estes Amigos

Shakespeare dizia que “os amigos são a família que nós permitiram escolher”. Essa frase para alguns pode não ter muito valor, mas para mim é completamente verossímil. Seja pela concepção, ou sua aplicação na vida. Cada um de nós tem amigos e estes são a família que cada um escolheu para lhe acompanhar durante essa caminhada chamada vida.
Somos então uma grande teia de pessoas entrelaçadas por ligações que denominamos: amizade. Estes dias estava pensando - meu deus ter amigos é fundamental para a vida do ser humano-, jamais quando se está longe da família e dos amigos que outrora não estão mais perto. A cada lugar novo, experiência, ou emprego, conhecemos mais pessoas e, estas podem vir a ser grandes companheiras de aventuras e histórias que só os amigos conseguem ter na vida.
Durante o pouco tempo que estou no Rio tenho tido o apoio, moral e psicológico, de irmãos maravilhosos. Gente que eu nunca tinha visto antes e que deve ter me achado um extraterrestre quando cheguei aqui. Imagina só, um cara que a cada dez palavras que fala, tem de citar “Santarém”, pelo menos oito vezes. Mas todos eles me compreendem, pelo menos de vez em quando, afinal sempre estamos discutindo a relação, para tentar melhorá-la. Cada um tem sua peculiaridade e isso nos faz ser um grupo unido e saudável de conviver.
Quando estava pensado no tema da crônica desta semana me veio à cabeça logo a amizade, afinal nos dias de hoje, com essa individualidade cada vez mais avassaladora, não podemos perder os amigos. Temos de valorizá-los e compreender que errar é humano. Não somos perfeitos. Nem queremos ser! Na relação de amizade não importa a perfeição e sim o conteúdo. É ai que esta a diferença entre “colegas” e “amigos”.
Creio que cada pessoa deve ter uma centena, milhares, milhões de amigos, mas a quantidade, nesse sentido, não importa. Do que vale um Orkut lotado, se na hora em que estiver chorando, você não receber nenhum depoimento ou recado... Do que vale uma agenda de celular com 500 pessoas, se nenhuma delas te liga para desejar feliz dia do amigo ou feliz aniversário.
Amizade se conquista. É uma obra que tem de ser construída de tijolo em tijolo. Cultivada no mais bonito jardim, onde cada momento de alegria se eternizará no nascimento das flores que irão compor a paisagem. Nossos amigos devem ser valorizados, sempre! Não podemos perdê-los, portanto quando errarmos vamos pedir desculpas e sorrir. A família dos amigos é fundamental para a vivência de cada um de nós.
Obrigado amigos!
Por Fábio Barbosa

sábado, 28 de junho de 2008

Um ano no Rio de Janeiro


Exatamente há um ano trás, no dia 28 de junho de 2007, eu, Fábio Barbosa, saia de casa rumo a “Cidade Maravilhosa”. A inesperada notícia de que a realização de um desejo antigo estava próximo, foi o bastante para me deixar imensamente feliz. Deixei em Santarém família, amigos, companheiros de teatro e muita gente torcendo por mim.
Lembro que o vôo para Belém foi tranqüilo, mas a conexão em Brasília nem se fala. Nisso já era dia 29 de junho, estávamos em plena crise área nacional, atraso era uma palavra constantemente ouvida nos aeroportos e foi o que eu ouvi assim que entrei na sala de embarque. Depois de uma hora, entrei no vôo que me levaria ao Rio de Janeiro. Pousamos no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão), fazia 18º e tudo parecia gigante e eu pequeno diante da imensidão da capital. Já a caminho de Botafogo, primeiro lugar que morei no Rio, comecei a conhecer, via janela do carro, um pouco da cidade. Mas o que eu queria ver era impossível naquele dia, o Cristo Redentor estava escondido entre a neblina que cobria as montanhas. Mas vi o Pão de Açúcar!
Na manhã seguinte queria explorar esse novo território, mas não sabia muito bem como chegar em Copacabana. Pequei o primeiro táxi amarelinho que passou e pedi pro motorista – Me deixe em Copacabana! Jurava que a corrida ia dar uns R$ 300, mas só atravessamos um túnel e estávamos na “Princesinha do Mar”. Por incrível que pareça, e foi mesmo, quando coloquei os pés no calçadão, ao fundo se ouvia a música de abertura da novela (Paraíso Tropical), Sábado em Copacabana, de Maria Bethânia.
Cheguei em uma época boa no Rio, estava acontecendo os Jogos Pan-americanos (PAN 2007). Fui ao Maracanã e na Arena do Vôlei de Praia. Todo mundo dizia que todos aqueles policiais (leia-se Força Nacional de Segurança), iam embora depois do evento, mas pelo menos me senti seguro por alguns dias. Depois foram todos embora, para variar, mas mesmo assim a cidade não mudou tanto, só alguns “foguetes” que são ouvidos mais constantemente agora.
Na faculdade, em Ipanema, de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas tudo ocorreu bem desde o início, fiz grandes amigos (Dany, Diego, Suely, Ana, Gean, Gerson, Carol, Fabiana etc), meus professores, do primeiro período, pareciam saídos de filmes de ficção cientifica. Mas eram os melhores, sem dúvida nenhuma! Saímos bastante, descobrimos um lugar próximo a faculdade para comer pizza e praticamente toda sexta-feira, lá estávamos nós engordando mais um pouco. É obvio que isso não poderia continuar, por isso descobrimos algo mais “light”, no início do segundo período, o Mec Donald’s! Virou mania, que logo foi substituída pelos salgados do chinês (japonês?) em Copacabana.
Nesses últimos meses não tenho tido muito tempo, só de trabalhos da faculdade foram mais de três, e o pior deles de Teorias da Comunicação, uma verdadeira corrida contra o tempo e o cansaço. Três capas da Revista VEJA para analisar de maneira denotada e conotada, com acréscimo de textos de teóricos para complicar mais ainda. Mas no final tudo deu certo e fomos gratificados pela nossa querida professora. Nesses dias, até subir o Morro da Urca, eu subi. Foi meia hora de caminhada, mas valeu a pena pela vista inenarrável que se tem de lá de cima...
Em um ano, aprendi a estar longe de casa. Tive de aprender muita coisa, até cozinhar agora eu sei. Mas tudo isso tem um sentido maior, um objetivo que começou a ser traçado lá no ensino médio, no Álvaro Adolfo. Sei que desafios são essenciais para a vitória profissional e nesses 365 dias vivendo no Rio de Janeiro, descobri uma cidade acolhedora, onde se tem de tudo, do nordestino ao paraense, da cidade agitada (centro do Rio), a lugares calmos, como a Quinta da Boa Vista. Fiz amigos que, estão sempre ao meu lado, mesmo naqueles dias de tensão na faculdade, amigos que nos dão força em momentos difíceis e que nos tratam como verdadeiros irmãos. Não poderia deixar de comemorar essa data, afinal é por essa história que eu vivo a cada dia, seguro de que o destino me abençoou com a dádiva de pode estar aqui no Rio de Janeiro e realizando meu sonho de fazer jornalismo.

Por Fábio Barbosa
blogdofabio@hotmail.com
Fotos: Fábio Barbosa – copyright 2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Uma dama Brasileira

O início dessa semana foi marcado por uma triste notícia. O falecimento de D. Ruth Cardoso deixou o Brasil em luto. Ex-primeira dama e formada em Antropologia, ela era um dos maiores ícones da presença feminina na política brasileira.
Discreta e intelectual, sua carreira é marcada por uma ampla militância na área social. A implantação do então Bolsa Escola no governo Fernando Henrique Cardoso foi uma das bandeiras que D. Ruth levantou. Ela acreditava que é preciso muito mais do que simplesmente dar dinheiro às famílias de baixa renda, defendia uma política voltada para a responsabilidade de toda a sociedade e não apenas do governo em relação ao combate da pobreza.
Era generosa, forte e combativa, como descreveu a nota enviada a imprensa pelo PSDB. Sonhava com um país mais justo e solidário. Nos últimos anos dedicou seu tempo a ONG Comunitas, criada em 2000 que tem como maior objetivo combater a pobreza no país.
Ruth Cardoso foi uma das fundadoras do PSDB, esteve a frente por 8 anos do Comunidade Solidária, programa do governo de seu esposo. Era respeitada de norte a sul, e a palavra que pode resumir os predicados dela é: solidariedade.
As homenagens realizadas por inúmeros políticos, estudiosos, artistas e a população demonstram o quanto ela era querida e admirada. Sua atuação política era significativa, defendia os direitos das mulheres e acreditava na construção de um país melhor por meio da erradicação da divida social centenária do Brasil para com seu povo.
Acima de tudo era humana, conhecia a realidade brasileira através de seus estudos e pesquisas. Neste momento de profunda comoção o mais importante é saudá-la e fazer com que seu legado seja concretizado, pois assim teremos um Brasil que Ruth Cardoso sonhou e que todos nos como compatriotas sonhamos a cada dia.

A essa dama brasileira o nosso eterno agradecimento!

Por Fábio Barbosa
blogdofabio@hotmail.com

sexta-feira, 23 de maio de 2008

“Corrida Maluca” nas Ruas do Rio

Se você pensou no desenho com esse nome de 1968, onde Dick Vigarista e seu ajudante Mutley faziam de tudo para ganhar a competição e Penélope Charmosa dirigia um carro em tons rosas, lamento informar que pensou errado. A corrida do desenho era bem interessante, mas o destaque desse artigo é justamente a falta de preocupação de certos motoristas de ônibus com seus passageiros.
Assim como na “Corrida Maluca”, todos de alguma forma querem ganhar. Os motoristas de coletivos da cidade do Rio de Janeiro, acham que estão numa alto-pista onde vale de tudo para chegar primeiro ao ponto final. Quem não anda de ônibus vai pensar: o que eu tenho haver com isso? Nem ando de ônibus e meu carro não corre tanto... O problema é que ao botar o pé no acelerador demasiadamente, o motorista, põe em risco a vida dele, dos passageiros, dos pedestres e dos outros motoristas que andam pelas ruas em seus carros. Recentemente saí de casa e peguei o 434, que faz a linha Grajaú-Leblon, além de correr bastante, a sensação era de que quando chegasse ao meu destino algo estaria faltando em meu corpo, pois a cada curva os passageiros pensavam no seu testamento. Se fosse apenas essa linha que fizesse isso, tudo bem, porém, outros tantos fazem a mesma coisa e o pior de tudo é quando passam pelos túneis, aí sim tem gente que até liga para a família para se despedir, afinal tudo bem que tem de acelerar, mas não precisa tentar dar uma de Felipe Massa e ultrapassar todo e qualquer veículo que fique na frente.
Ultimamente não temos tido notícias de acidentes envolvendo coletivos, mas deve ser por que o santo padroeiro dos motoristas deve estar intervindo junto aos céus. Ultrapassam sinais fechados, param em cima das fachas de pedestres, tudo vale na corrida deslocada dos coletivos cariocas. Daqui há algum tempo se isso continuar assim vamos ter motoristas sabotando os concorrentes para evitar que eles conquistem o pódio. Porém será necessário chamar alguém que conheça esse tipo de estratégia mais profundamente, Dick Vigarista que deve estar aposentado com seu amigo de traspassas Mutley, se eles se recusarem a fazer isso o jeito vai ser chamar a Penélope, mas tem um problema: ela adora rosa e os motoristas não gostam dessa cor e não param para as pessoas que a usam, nem para os velhinhos, estudantes de escola públicas, enfim não tem a dita responsabilidade social. Os motoristas do Rio estão mais para Papa-léguas do que para personagens de uma corrida que sempre acaba com um dos concorrentes vencedores, diferente daqui que acaba com acidentes e pessoas hospitalizadas.


Por Fábio Barbosa
blogdofabio@hotmail.com
Imagem: http://www.hotink.com/wacky/wrstuff/wpcars_800.gif

segunda-feira, 10 de março de 2008

Heróis Nacionais: Não Aprendemos nada!


Este país tem jeito?
Muitos de nós estamos fazendo essa mesma pergunta neste exato momento. Sempre quando questiono sobre a atual situação do Brasil me remeto a um pensamento analítico sobre a história, afinal somo fruto dela.
Imaginemos a triunfante chegada dos portugueses neste solo, tudo por acaso é claro! Esse momento histórico se torna a grande tragédia dessas terras que, até então eram habitadas por povos primitivos. Lembro-me das aulas de história onde alguns nomes bonitos eram citados como heróis nacionais (Tiradentes, D. Pedro, D. João, Princesa Izabel, Zumbi dos Palmares...), e sempre me perguntei o porquê de tanta homenagem a figuras que nada fizeram sozinhas para merecer tal lembrança. Tiradentes foi um grande revolucionário e pagou caro por sua tentativa de mudar os planos da Coroa Portuguesa, mas sal morte também serviu de fator determinante anos mais tarde quando aconteceu a proclamação da republica, pois ele foi eleito “mártir nacional”. D. Pedro era nobre, portanto, já tinha que estar na história mesmo, mas foi sua permanecia no Brasil que o consagrou como grande personagem histórico, mesmo que todos soubessem que ele ficou aqui contra sal vontade. D. João, pai de Pedro, não era uma figura, digamos esteticamente histórica, mas participou ativamente da fuga da Família Real para o Brasil, quando Napoleão invadiu Portugal. Ele foi mais um fugido, mas graças a insanidade mental de sua mãe (Maria I), se tornou Rei e entro também para o balcão brasileiro de personagens históricos. Princesa Izabel e Zumbi dos Palmares tem algo em comum: a luta pela libertação dos escravos. Ela porque acreditava que eles (os escravos) eram pessoas merecedoras de liberdade e Zumbi por ter vivido como escravo e querer que seus companheiros não passassem por isso também.
Como observamos neste pequeno comentário sobre tais figuras, essencialmente não eram predestinados à fama ou aos livros de história. Esse questionamento sobre essas pessoas pode nos levar a uma análise fundamental sobre nosso atual comportamento, afinal, nada do que vemos hoje nas manchetes de jornais é tão novo assim. Roubo, corrupção, assassinatos e etc, já acontecem aqui desde o momento em que os portugueses colocaram os pés neste país.
Heróis Nacionais não significam uma história gloriosa para nós. Um belo exemplo é a política brasileira que, desde o tempo do Império já era do jeito que é. Getúlio Vargas, JK, Lula e até Collor são personagens recentes de uma história que nós vivemos a cada dia. Como fazemos parte dela, precisamos fazê-la, ou seja, construí-la como nossos atos e reações diante dos governos ou da mídia. Somos todos responsáveis, portanto, o interesse e responsabilidade são coletivos. Quando vimos manchetes que nos chocam como o caso da missionária americana Doroth Stengue que, foi morta no Pará por tentar modificar a situação de miséria e degradação da região amazônica. Olhando essa página de nossa história percebo o quanto temos que mudar, o quanto nossa memória não foi bem estudada e, principalmente, o quanto ela não foi aprendida. Continuamos a manter os mesmos erros e a reagir igualmente aos personagens dos séculos passados. Infelizmente, assim, dessa maneira, não teremos muito a lembrar no futuro; aí veremos o quanto certas lições deveriam ter sido assimiladas e reconhecidas historicamente.
Neste país onde se vende leite com água oxigenada, onde se mata e ninguém é punido; nossa história serve para enxergarmos o quanto não aprendemos nada e o poder que nossa soberba pode exercer diante de fatos determinantes para a vida de todos. Brasil: 500 anos de historia mal contada!


Por Fábio Barbosa

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

IPANEMA: Bairro de Burguês ou de Loucos?

É engraçado a força do nosso pensamento. Quando pensamos em alguém e o telefone toca e nos surpreendemos por ser aquela pessoa, ou quando falamos sobre fulano e olha ele lá atravessando a rua! São coisas simples do nosso dia-a-dia que costumam passar despercebidas. Isso acontece comigo o tempo todo.
Há semanas não via o famoso bêbado de Ipanema. Dizem que seu nome é Jailson, Aldemir, ou coisa que o valha... Ao pensar nele - eu realmente fiquei preocupada – em seu chapéu coco azul, em seu terno preto ou em seus trajes de costume, bermuda velha rasgada, sem camisa e descalço, não é que ele surgiu na esquina com um terno todo branco e descalço, com direito a um chapéu de palha daqueles de filme faroeste? Não há um morador da Zona Sul que não o conheça. O mais estranho é que ele me parece ser um bêbado extremamente consciente. Quando não está falando sozinho, joga uma conversa fora com os porteiros e funcionários da Padaria de Ipanema, mas não troca palavras com meninas ou mulheres conhecidas ou desconhecidas. Acredito que mesmo bêbado ele sabe que pode assustar ou causar um desentendimento.
Talvez tenha aprendido isso por experiência. O bêbado sábio de Ipanema não é o único personagem famoso da Zona Sul; há quem diga que a mulher de branco está acima dele em popularidade. Talvez seja verdade, ela está nos palcos há mais tempo. Tanta coisa já ouvi dessa pessoa: Mãe da Camila Pitanga, Miss Universo ou Brasil de décadas atrás, moradora da Vieira Souto, drogada, até ex-prisioneira já chegou aos meus ouvidos. Ela está sempre falando sozinha e embora não se possa comparar com as pessoas sãs, quem é que não fala sozinho? Talvez a loucura dessas pessoas seja apenas porque não temem falar sozinhas no meio da rua na frente de um bando de pessoas classe média que, com certeza, falam sozinhas em suas casas e possuem um grau de loucura muito mais alto causado pelo estresse.
Geralmente esse tipo de loucura, de quem fala sozinho, vem sempre acompanhado por humor, já percebeu? Uma outra figura de Ipanema é a mulher da sanfona. Ela está sempre sentada na metade do quarteirão da Praça Nossa Senhora da Paz tocando sua sanfona ou acordeon. Ou melhor, gritando frases da mulher traída e do marido (palavrão) e fazendo “fén fón” com seu instrumento, repetidamente, sem coerência alguma, mas é aí que reina a graça, ou não estaria falando sobre ela. Ela lembra uma pessoa que veio da roça, não se adaptou à cidade grande e tenta ganhar umas moedas gritando palavras chulas e sujas. Talvez seja apenas uma pessoa exibida, extrovertida e que não foi ainda apresentada à civilização... mas quem há de compreender sua excentricidade? Ela tem esse quê a mais por ser divertida, já os outros aspirantes a artistas, como o violinista da praça, que está sempre tocando a música do Titanic, ou o saxofonista da esquina do Banco Itaú Personalité, que adora o repertório do Tim Maia, e o “Pelé” fazendo seus milhões de embaixadinhas nos sinais. Esses são considerados apenas trabalhadores aparentemente talentosos que buscam por um dia de sorte.
A mente do morador da Zona Sul está tão ocupada com o tempo, que lhe é raro, na correria para lá e para cá, que não percebe esses detalhes à sua volta. É um pensamento adicional que não está presente na rotina do dia-a-dia, portanto inválido. Uma vida escrava do trabalho e do tempo de trabalho, que o faz perder um tempo precioso para os filhos, ou para o lazer, até mesmo a diversão, que vai dispersar a mente das obrigações. Nos dias de hoje, isso não é considerado loucura, nem nunca vai ser, pois o ser humano virar uma máquina faz parte da era do consumo, e os “loucos”, que tocam sanfona ou se vestem de branco na rua e falam sozinhos, são apenas pessoas que não pertencem à civilização, são deixados de lado, esquecidos, ou melhor, é preferível fingir que não os vimos, para que em nossa cabeça acreditemos que não existem e possamos voltar à nossa rotina completamente sã e inteligente, absolutamente perfeita, nada subordinada ou acomodada. Não é mesmo?

Vivi Maurey (Estudante de Comunicação Social - Jornalismo da UniverCidade)